terça-feira, novembro 20, 2007

Pedro Tamen

Nesta cadeira me sento,
é nela que me apresento,
mas menos do que me ausento,
tento, lamento, avelhento,
aqui me invento e rebento;
passo cordura de unguento
e alimento o alento
da vida de sono e pão.

Desta cadeira prossigo
para um outro nó pascigo,
já sem perigo nem abrigo,
amigo como inimigo,
com meu já perdido umbigo
de só nascer por castigo:
ali de vez eu te irrigo,
cintilante coração.

Pedro Tamen
relâmpago n.º3 10/98

Cultura

Literatura: Pedro Tamen vence Prémio Luís Miguel Nava

Lisboa, 20 Nov (Lusa) - O Prémio de Poesia Luís Miguel Nava para livros publicados em 2006 foi atribuído por unanimidade a Pedro Tamen, por "Analogia e Dedos", da editora Oceanos.

O júri era constituído por Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz e Paulo Teixeira, membros da Fundação Luís Miguel Nava, e integrou ainda, como elemento convidado, Pedro Mexia.

Este ano na sua décima edição, o Prémio, no valor de 5.000 euros, distinguiu anteriormente Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarría, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Manuel Gusmão, Fernando Guimarães, Manuel António Pina, Luís Quintais e António Ramos Rosa.

Nascido em Lisboa em 1934, Tamen é autor de uma já vasta e conceituada obra poética, iniciada em 1956 com "Poema para todos os dias" e continuada com obras como "O sangue, a água e o vinho", "Daniel na cova dos leões", "Poemas a isto", "Escrito de memória", "Dentro de momentos" e "Guião de Caronte", entre outras.

Também tradutor de méritos firmados, Tamen foi director da Editora Moraes, já extinta, e, até 2000, quando se retirou da actividade profissional, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian.

Tem poemas traduzidos e publicados em francês, inglês, espanhol, italiano, alemão, neerlandês, sueco, húngaro, romeno, checo, eslovaco, búlgaro e letão.

Várias das suas obras foram distinguidas. Recebeu, entre outros, o Prémio D. Dinis (1981), o Prémio da Crítica (1991), o Grande Prémio Inapa de Poesia (1991), o Prémio Nicola (1997), o Prémio da Imprensa e o Prémio do PEN Clube (2000).

RMM.

Lusa/Fim

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2007-11-20 13:30:02

quarta-feira, novembro 14, 2007

INSTITUTO FRANCO-PORTUGUÊS

AINDA NOVEMBRO 2007

NO INSTITUTO FRANCO-PORTUGUÊS

Esta semana, para além do workshop de Pierre Pratt que está a decorrer até
dia 15 e da Temporada Miso Music Portugal (ver toda a programação em
www.misomusic.com ), teremos mais dois concertos
Antena 2 (23 e 30 às 19h00) com programas bem diversos, uma homenagem a
Jacques Prévert por ocasião do seu 30º aniversário (dia 22 às 18h30), o
Festival Musidanças (de 22/11 a 1/12) e ainda um espectáculo de dança, a não
perder, com o coreógrafo e bailarino Francis Plisson e o músico Carlos
Zíngaro (dia 27).

Duas exposições estão ainda patentes na Luís Bívar, 91 do ilustrador Pierre
Pratt (NLF) e Bleu Espace de Marjolaine Pigeon que pode visitar até dia 31
de Outubro.

Não esquecer também os espaços de debate. Depois do Café Philo (14 às 21h00
– O Poder) e do Bar das Ciências o Encontro com o Le Monde Diplomatique está
marcado para dia 15 de Novembro às 21h30 e será em torno de O Médio Oriente
Remodelado com a participação do jornalista João Goulão

22 de NOVEMBRO às 18h30 no IFP – Entrada livre

Jacques Prévert

Por ocasião do trigésimo aniversário da morte de Jacques Prévert, e fazendo
eco da publicação em Maio passado na Gallimard do livro Octobre. Sketches et
chœurs parlés pour le groupe Octobre (1932-1936), reunidos e comentados por
André Heinrich ;

O IFP propõe-vos uma homenagem a Jacques Prévert com a actriz e escritora
Eduarda Dionísio, o actor e encenador Jorge Silva Melo que fará algumas
leituras, a tradutora Manuela Torres, o editor João Rodrigues e o
historiador André Heinrich.

De 22 de Novembro a 1 de Dezembro, IFP

7ª Edição do Festival Musidanças

Concertos e workshops

Toda a programação em www.musidancas.com~

Preço dos bilhetes concertos: 10€


Dia 23 de Novembro, 19h00 – Concerto Antena 2 – Entrada livre


Da nossa voz


Polifonias tradicionais femininas



CRAMOL – Grupo de canto de mulheres

Um grupo de mulheres canta, muitas das vezes em círculo, polifonias
tradicionalmente reservadas ao seu género. Estas mulheres, que partilham a
mesma origem urbana, mas que têm profissões e idades muito diversificadas,
procuram no seu interior o timbre e a disposição que nasce com cada útero.
Esse timbre, por vezes estranho, por vezes estridente, toma diferentes
formas não só consoante as regiões do país, mas também conforme a situação
em que a canção é evocada, aquilo que conta ou de quem lhe dá voz. Trata-se
de uma pesquisa íntima para cada uma destas mulheres, tomada como uma
aventura - a aventura de descobrir a essência e a força da sua feminilidade.
É afinal uma outra forma de embalar um filho, de se dizer que se está feliz,
que se está em sofrimento, que se está apaixonada. O grande desafio é, mais
do que reproduzir fielmente os cantos tradicionais de mulheres, enfrentar
uma nova disponibilidade da voz e do corpo, recriando uma temporalidade que
se julgou perdida nas sociedades de hoje.

Transmissão em directo pela Antena 2

24 de Novembro

Hora do Conto – excursão ao Barreiro para a Ilustrarte 2007

Informações: Mediateca do IFP: 21 311 14 21


27 de Novembro, às 21h00, IFP - Dança

L’écho de mon corps répété dans le battement d’une aile murmurante

Um espectáculo fruto da colaboração do coreógrafo e bailarino Francis
Plisson e do violinsta Carlos Zíngaro.
“O título dá sentido a toda a peça : a procura sobre a relação música e
dança é central. A nossa cumplicidade com Carlos Zíngaro em torno da questão
“como fazer com que o público entre no interior de um corpo dançante?
permitiu-nos explorar novas vias...” Francis Plisson

Bilhetes: 10 euros | 5 euros

30 de NOVEMBRO, 19h00, IFP – Concerto Antena 2 – Entrada livre

Ana Carolina Libânio (piano)

No programa : S. Prokofiev - Sonata Nº7 , H. Villa-Lobos - A Prole do Bébé
Suite Nº.2, L. V. Beethoven - Sonata Nº30 em mi maior, Op.109

Transmissão em directo pela Antena 2

Margarida Antunes da Silva

Attachée de Presse/Relations Publiques

Instituto Franco-Português

Av. Luís Bívar, 91

1050-143 Lisboa

Tel: 21 311 14 27 Fax: 21 311 14 63

margarida.silva@ifp-lisboa.com

domingo, novembro 11, 2007

JOÃO RUI DE SOUSA

PONTO DE FUGA

Procuro a minha voz e não a encontro.
Procuro o meu silêncio e não o tenho.
Ao desencontro vem o desencontro,
do maior ao menor é o meu tamanho.

No alto das esferas rolam as esferas, .
ermo adormecido, doida escuridão.
Procuro ali a voz e não a encontro.
Procuro o meu silêncio e não mo dão.

A espaços vi tão perto o meu querer,
a dúvida desfeita, puro abraço,
que logo pensei eu que a voz viesse
ou chegasse o silêncio ao meu cansaço.

Mas não. No grande desencanto (e frio)
em que na rua, gasto, me detenho,
procuro a minha voz e não a encontro,
procuro o meu silêncio e não o tenho.

JOÃO RUI DE SOUSA (1928)
(Circulação)

Arte Lisboa - 2007






















segunda-feira, novembro 05, 2007

Arte

Carlos Lança
Pintura
Espaço-Tempo
03 Nov. a 31 Dez. 2007
Galeria Diferença
R. S. Filipe Neri, 42 cave
Tele: 213832193
Lisboa
Emanuel de Sousa
Pintura
"Social brand"
03.Nov. a 22. Dez. 2007
Galeria Jorge Shirley
Lg Hintze Ribeiro (à Rua de S. Bento), 2E/F
Tel: 213868497
Lisboa

domingo, novembro 04, 2007

Espaço-Tempo

Acho que o pensamento consegue alterar a intensidade das funções ondu-
latórias quânticas. Ora a intensidade de uma onda quântica é uma
medida de probabilidade da ocorrência de um acontecimento. Acredito que
quanto maior for o grau de consciência do observador tanto mais aumen-
tará a probabilidade da ocorrência do acontecimento. Eugene Wigner foi
um dos prImeir físicos a assinalar que a consciência modifica as ondas
quânticas, alterando pois o universi físico. Este laureado com o prémio
Nobel escreveu em 1967:

Na mecânica quântica, o papel dos seres dotados de consciência deve-
rá ser diferente daquele que é desempenhado pelos aparelhos de medi-
ção inanimados (...) Por outras palavras, a impressão obtida numa
interaçção, também chamada resultado de uma observação, modifica a
função ondulatória do sistema. Mais ainda, a função ondulatória mo-
dificada é geralmente imprevisível antes da impressão obtida haver
penetrado na nossa consciência; é a entrada de uma impressão na nos-
sa consciência que vai alterar a função ondulatória, pois ela vai mo-
dificar a nossa avaliação probabilística relativa a impressões diferentes
que esperamos receber no futuro. É neste ponto que, inevitável e inal-
teravelmente a consciência entra na teoria.


As condições e propriedades físico-químicas (...) não apenas criam a
consciência, elas influenciam também profundamente as sensações
[do ser]. Inversamente, será que a consciêncla influencia as condições
físico-químicas? Por outras palavras, será que o corpo humano se
desvia das leis da física, como revela o estudo da natureza inanimada?
A resposta tradicional a esta pergunta é "Não": o corpo influencia a
mente mas a mente não influencia o corpo.

O facto de me haver apercebido de que os objectos físicos e os valores
espirituais possuem um tipo de realidade muito semelhante contribuiu
de algum modo para a minha paz interior - (...) seja como for, este é
o único ponto de vista consistente com a mecânica quântica.

E. WIGNER, Symmetries and Reflections
(Indiana University Press, Bloomington, 1967), pp. 183, 188, 192.

TEMPO-ESPAÇO E MAIS ALÉM
Bob Toben e Fred Alan Wolf
em conversa com físicos teóricos
VIA OPTIMA
2º edição
1999